Jogo de Areia

A sombra é o outro lado da personalidade e, por esta razão, é a parte obscura da psique, enquanto tal inferior e indiferenciada que, de diversos modos, é, necessariamente, remetida à parte superior e diferenciada da própria psique durante o processo de individuação – que vem a ser o processo de transformação contínua de uma personalidade.

A sombra é uma unidade complexa dotada de vitalidade autônoma, fundamentalmente entendida como o negativo de cada indivíduo, que o próprio homem pode apenas perceber sentimental e intuitivamente e, por isso, experienciar.

Exprime o lado não aceito da personalidade assim como se constituiu, e portanto é, de um lado, o conjunto de tendências, características, atitudes e desejos inaceitáveis em relação ao complexo do “eu”; do outro, o conjunto das funções indiferenciadas ou fracamente diferenciadas em relação às funções psíquicas. Surge então a expressão “sombra do eu”, que indica especificamente o conjunto de modalidades e possibilidades de existência reconhecidas pelo sujeito como não próprias, seja enquanto negativas ou não-valores em relação a valores já codificados na consciência: considera-se que tais elementos fiquem alienados de si para defender e ao mesmo tempo constituir a própria identidade, embora com o risco de parar indefinidamente o devir da pessoa humana.

Neste sentido a experiência da sombra é experiência da definição de si e do limite que, enquanto tal, constitui a atual identidade do sujeito.

Durante o trabalho analítico (análise) identificamos diferentes acepções da sombra:

1. A projeção da sombra – alienação do sujeito em relação aos próprios conteúdos psíquicos negativos considerados penosos e incompatíveis, e a incorporação dos mesmos no “outro”. Tal dinâmica é posta como explicação das antipatias e idiossincrasias que nascem em cada sujeito, ao referir ao “outro” aquilo que existe de sombrio na própria personalidade;

2. A identificação com a sombra – o sujeito assume os próprios conteúdos negativos, razão pela qual adota todas as suas características. A energia psíquica dinamiza apenas os conteúdos negativos, por essa razão é considerada como ainda não elaborada sob forma de autocrítica;

3. A cisão da sombra – se refere a vida autônoma, que ocorre dentro da psique, dos conteúdos rejeitados, de qualquer forma, pelo complexo do “eu”, motivo pelo qual eles provocam, por um lado, bruscas mudanças de personalidade, e por outro lado a alternância de personalidades diferentes;

4. A diferenciação da sombra – nesta etapa, há a distinção e o desenvolvimento dos conteúdos psíquicos negativos, a fim de que esses possam entrar verdadeiramente em relação com os seus opostos;

5. A integração da sombra – é o reconhecimento crítico à aceitação não apenas racional dos aspectos negativos da própria personalidade. Tal reconhecimento e aceitação, sendo realizados por parte do “eu”, restituírão ao próprio “eu” a energia psíquica, de tipo cognitivo e afetivo, que antes disso residia isoladamente nos conteúdos psíquicos.

Cenário que mostra como exemplo aspectos da “sombra”

Cenário que mostra como exemplo aspectos da

No quadrante inferior esquerdo observamos como o paciente se sente preso em sua vida e em suas questões. Aspectos de perdas personificados pelas figuras mortas e seus medos representados pelos animais peçonhentos. No quadrante superior esquerdo vemos a possibilidade de um prognóstico positivo, simbolizado pelos elementos de natureza, tesouros e um casal integrado em seu ambiente.

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